Todas as formas de arte devem ser o reflexo da sociedade em que vivemos: a Moda e a Música são dois mecanismos fortes e importantes para assegurar essa missão. Uma vez mais, a cantora Marisa Liz confiou no talento do designer nacional Luís Carvalho, para a criação de um vestido exclusivo. Desta vez, em prol de uma causa maior e feito a partir dos lenços tradicionais palestinianos.
“A arte sempre esteve ligada à representação dos tempos que vivemos e das emoções sentidas no momento em que cá estamos”, começa por explicar Marisa Liz. Assim, na noite de 24 de agosto, na final do The Voice Gerações Portugal 2025, Marisa Liz foi uma das protagonistas, não por nenhuma apresentação musical, mas pela escolha de roupa que efetuou para o momento – um vestido exclusivo desenhado pelo criador de moda português Luís Carvalho, desenvolvido a partir dos lenços tradicionais palestinianos keffiyehs. Este momento assinala um gesto simbólico de empatia e manifestação artística, quer pela cantora quer pelo designer, perante a crise humanitária vivida pelo povo palestiniano.


Tanto eu como o Luís pensamos da mesma forma nesse sentido e, se podemos utilizar a nossa arte para chamar a atenção para um assunto que ambos acreditamos que tem de ser alterado, vamos fazê-lo, como já fizemos antes e continuaremos a fazer no futuro.
Marisa Liz

Para o criador Luís Carvalho, a iniciativa tornou-se um desafio irrecusável, já que considera “uma honra”, o facto de ter concretizado este projeto com Marisa Liz. Para a criação da peça final, o designer de Vizela inspirou-se no lenço palestiniano como ponto de partida, mas através de uma desconstrução menos óbvia. “Quis levá-lo para um contexto diferente, inesperado, transformá-lo num vestido de gala, pensado para um momento tão especial e para um palco com tanta visibilidade como o do The Voice Gerações”, acrescenta Luís Carvalho em comunicado.
O vestido foi inteiramente construído com kefiyyehs, lenços tradicionais produzidos na fábrica The Golden Textile Factory Co, que fica localizada na cidade de Amman, na Jordânia. O Keffiyeh de padrão preto e branco é, entre os lenços palestinos, o mais tradicional e é frequentemente referido como a bandeira palestina não oficial. O keffiyeh era também usado como uma forma de proteção do sol e da areia pelos beduínos que habitavam o deserto. O padrão axadrezado tem várias interpretações: alguns assemelham-no a uma rede de pesca, a uma colmeia, a oliveiras ou a mãos dadas.
A Palestina, para mim, é a bandeira mais chocante de tudo o que está a acontecer na nossa humanidade, até porque está diante dos olhos de todos e, mesmo assim, continua a ocorrer um genocídio. Temos muitos, demasiados problemas para resolver no mundo, inclusive em Portugal. Temos um país, literalmente, a arder, com tantas coisas por mudar para melhorar a vida de todos os seres humanos que aqui vivem, e no resto do mundo. A Palestina é um símbolo de que as coisas chegaram a um extremo assustador de maldade, que nos obriga a refletir sobre qual é o caminho que queremos seguir, daqui para a frente, enquanto seres humanos.
Marisa LizApós a gala, a intenção é integrar o vestido num projeto com continuidade: para ser doado, leiloado ou exposto, com o objetivo de converter esta manifestação simbólica em apoio concreto para causas humanitárias ligadas à Palestina. A equipa está atualmente a trabalhar com entidades culturais e sociais para definir o destino final da peça.









