Na edição Pebbling da ModaLisboa, o calçado português encontrou diferentes formas de expressão: entre uma apresentação performativa que celebrou o saber-fazer da indústria e o desfile de um dos seus nomes mais reconhecidos, o programa abriu espaço para refletir sobre tradição, inovação e identidade no universo do calçado nacional.
Movimento, identidade e futuro: Portuguese Soul by APICCAPS
Na passarela do Pátio da Galé, a apresentação Portuguese Soul by APICCAPS transformou-se momento performativo onde o calçado português se revelou através da dança e da expressão corporal.
Mais do que um simples complemento de figurino, os sapatos tornaram-se parte integrante da narrativa. Cada passo, cada gesto e cada deslocação no espaço reforçaram a ideia de que o calçado pode ser simultaneamente objeto de design, ferramenta de criação e símbolo de identidade coletiva.



Em palco, bailarinos deram corpo a esta visão, usando modelos de diferentes marcas nacionais e transformando-os numa extensão do próprio movimento. Através desta abordagem, o calçado deixou de acompanhar a ação para passar a provocá-la, amplificando ritmo, presença e energia.
A apresentação integrou-se no âmbito do projeto BioShoes4All
O BioShoes4All é um projeto de inovação e capacitação d... ver mais..., uma iniciativa que desafia a indústria a repensar processos, materiais e impacto ambiental. O objetivo passa por estimular o desenvolvimento de soluções mais responsáveis e circulares, capazes de responder às exigências de uma nova geração de consumidores e de um futuro mais consciente.



Entre as marcas representadas estiveram a Ambitious, Campobello, Helena Mar, Miguel Vieira, Penha e Valuni, nomes que ajudam a demonstrar a diversidade e o alcance da produção nacional.
No final, a mensagem foi simples: o futuro da indústria começa no próximo passo.
Luís Onofre revisita a herança da marca
Luís Onofre apresentou na ModaLisboa a coleção outono-inverno 2026/27, “1938, The Recode”, a proposta parte dos arquivos da marca para reinterpretar a sua história à luz da tecnologia contemporânea.
O ponto de partida é o ano de 1938, quando nasceu a herança familiar ligada ao calçado. A partir dessa memória, a coleção constrói uma ponte entre passado e presente, revisitando referências das décadas de 1930 e 1960 e transformando-as através de uma abordagem atual, precisa e arquitetónica.



A precisão técnica é um dos pilares da coleção: construções clássicas surgem reinterpretadas com linhas depuradas e uma forte atenção à estrutura, numa linguagem onde o luxo se afirma sobretudo pela forma, pela qualidade dos materiais e pela execução rigorosa.


As silhuetas exploram contrastes subtis: stilettos extra pointed surgem lado a lado com formas retro arredondadas, criando tensão entre elegância clássica e ousadia contemporânea. O resultado é um equilíbrio entre memória e inovação, uma assinatura que tem marcado o percurso criativo do designer.



Nos materiais, os vernizes profundos e as camurças suaves evocam o passado, enquanto a paleta cromática aposta em tons sofisticados como grená, verde bosque, bordeaux, tan, taupe, castanhos intensos e preto absoluto.



Ausentes estão os cristais e os elementos decorativos exuberantes tão característicos da insígnia Luís Onofre: aqui, a força reside na pureza das linhas e na clareza da silhueta.
Entre performance e desfile, a presença do calçado na ModaLisboa revelou duas perspetivas distintas sobre o mesmo universo. De um lado, a celebração coletiva do saber-fazer da indústria portuguesa. Do outro, a visão autoral de um designer que continua a recodificar a sua própria herança.











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