Depois de ter brilhado nos Grammys 2026 envolto na exclusividade escultórica da Schiaparelli, Bad Bunny voltou a surpreender, desta vez no palco mais visto do planeta. Para o espetáculo no intervalo do Super Bowl, o artista porto-riquenho decidiu deixar o luxo inacessível de lado e fazer uma afirmação inesperada: trocar a alta-costura pela fast fashion
A indústria da moda é a segunda mais poluente do mundo, a ... ver mais... da Zara. Mas o verdadeiro detalhe que está a captar atenções globais tem sotaque português.
Na análise à escolha de figurino por parte de Bad Bunny, diversas páginas nacionais e internacionais, como a Vestiaire Collective insurgiram-se contra a opção do artista, sendo em muitos casos considerada “incoerente” devido ao manifesto político que envolveu a atuação. No entanto, abordar temáticas relacionadas com fast fashion
A indústria da moda é a segunda mais poluente do mundo, a ... ver mais... tem sido cada vez mais ambíguo, pelas metas que diversas marcas têm de cumprir e pela necessidade de mudança de paradigma. Nem tudo é um mar de rosas, mas esta é a prova de que é possível encontrar um equilíbrio entre qualidade e preço mais acessível.
O conjunto branco total look, numa clara homenagem à cor do ano da Pantone, não foi apenas uma escolha estética minimalista. A T-shirt branca com o número 64 e o nome “Ocasio” estampado nas costas, peça central do visual, foi produzida em Santo Tirso, pela fábrica portuguesa Sidi, um nome discreto mas incontornável na indústria têxtil nacional.
A empresa não escondeu o orgulho e partilhou o momento nas redes sociais com uma mensagem simples e poderosa: “Produzida orgulhosamente pela Sidi”. Na mesma publicação, surge ainda um agradecimento pessoal de Bad Bunny à fábrica, reforçando uma ligação rara entre um artista global e quem está por trás da produção, longe dos holofotes, mas essencial para que o espetáculo aconteça.



O look completo, composto por T-shirt, calças e blazer brancos, todos assinados pela marca espanhola do grupo Inditex, foi pensado ao detalhe pelos estilistas porto-riquenhos Marvin Douglas Linares e Storm Pablo. A escolha criativa garantiu que, mesmo num palco global, as raízes culturais de Benito Antonio Martínez Ocasio permanecessem presentes, não só na performance, mas também em quem constrói a sua imagem.
Nos pés, o cantor estreou ainda as “BadBo 1.0”, o mais recente modelo da sua colaboração com a Adidas, reforçando a sua posição como uma das figuras mais influentes da cultura pop contemporânea, capaz de cruzar música, moda e identidade com naturalidade.
Ao optar por peças acessíveis, Bad Bunny fez mais do que desafiar hierarquias tradicionais da moda e deixou uma mensagem clara: a qualidade importa e vestir-se bem e com significado, não depende de preços astronómicos, mas de intenção, contexto e narrativa. De repente, o que o artista usou no Super Bowl pode, literalmente, estar ao alcance de qualquer pessoa.
E a generosidade não ficou pelo palco, porque como gesto de reconhecimento, o cantor enviou camisolas iguais às suas a toda a equipa da Inditex envolvida na produção do guarda-roupa, fechando o ciclo com um agradecimento concreto a quem transforma ideias em realidade.
Num só look, Bad Bunny conseguiu unir indústria portuguesa, orgulho cultural e impacto global e provou, mais uma vez, que a moda, quando bem contada, pode ser tão poderosa quanto a música.










