O desperdício de roupa infantil em Portugal: 17 milhões de peças acabam no lixo todos os anos

Portugal descarta todos os anos cerca de 17 milhões de peças de roupa infantil, um volume que, se cada peça tivesse um centímetro de altura, equivaleria a empilhar 19 vezes o Monte Evereste.

Portugal descarta todos os anos cerca de 17 milhões de peças de roupa infantil, um volume que, se cada peça tivesse um centímetro de altura, equivaleria a empilhar 19 vezes o Monte Evereste. Os dados resultam de um estudo da Epson realizado em outubro, que analisou os hábitos de consumo e desperdício de vestuário infantil em sete países europeus, França, Alemanha, Itália, Espanha, Portugal, Polónia e Reino Unido, e revelam um cenário marcado pelo consumo excessivo e pela curta vida útil das roupas destinadas às crianças.

De acordo com o relatório Fashion Play, em Portugal são deitadas fora, em média, 11 peças de roupa por criança todos os anos, ao mesmo tempo que cada criança recebe cerca de 63 peças novas anualmente, o que representa um total estimado de 99 milhões de peças compradas por ano no país. Quase metade dos pais admite que os filhos têm roupa guardada nos armários que nunca chegou a ser usada, sendo que 41% dizem mesmo que existem peças novas, ainda com etiquetas, que nunca saíram do roupeiro. Apesar disso, 52% confessam já ter descartado ou reutilizado roupa infantil que nunca foi usada.

O impacto económico deste padrão de consumo também é significativo, sendo que em média, cada criança representa um gasto anual de 647,80 euros em vestuário. Entre os hábitos identificados, 4% dos pais compram roupa nova para os filhos todas as semanas e 22% das famílias admitem ter deitado roupa infantil diretamente no lixo por falta de tempo para outras soluções. A peça média de roupa infantil é usada apenas cerca de 30 vezes antes de ser descartada, apesar de Portugal se destacar, no contexto europeu, como o país onde este tipo de vestuário dura mais tempo.

Portugal, quando comparado com outros países analisados surge no último lugar do ranking de desperdício absoluto, mas os números continuam expressivos. O Reino Unido lidera com 216 milhões de peças descartadas por ano, seguido da Alemanha com 196,7 milhões, França com 118,8 milhões, Espanha com 102 milhões, Itália com 101,8 milhões e Polónia com 75,9 milhões. As peças mais frequentemente descartadas são meias e calças. Ainda assim, enquanto 56% dos portugueses afirmam considerar opções mais sustentáveis para o seu próprio vestuário, quase um em cada três admite livrar-se da roupa dos filhos da forma mais rápida e fácil possível.

O estudo revela também um desconhecimento generalizado sobre o impacto ambiental dos materiais utilizados. Cerca de 59% dos pais portugueses não sabem que a maioria das roupas infantis contém fibras sintéticas que podem demorar até 450 anos a decompor-se. No último ano, a família média em Portugal deitou fora, vendeu ou doou, por criança, itens como T-shirts, camisolas, calças, calções, meias, sapatos e até roupas de festa ou fatos temáticos. Mesmo as peças recebidas como presente não escapam ao desperdício: no Natal, as crianças recebem em média sete peças de roupa de amigos e familiares, mas uma delas nunca chega a ser usada.

Com o objetivo de chamar a atenção para este problema e demonstrar como a inovação pode fazer parte da solução, a Epson colaborou com a estilista e pioneira da sustentabilidade Priya Ahluwalia na criação de Fashion Play, uma coleção de moda em tamanho de boneca. As peças foram produzidas com tecnologia digital de impressão têxtil Monna Lisa e recorrendo à Dry Fiber Technology, uma inovação da Epson que transforma resíduos têxteis em novas fibras sem utilização de água nem de químicos agressivos.

Para Maria Eagling, diretora de marketing da Epson Europe, a moda é uma poderosa ferramenta de expressão criativa em todas as idades, mas implica responsabilidade. A responsável sublinha que todos têm um papel a desempenhar, desde reduzir a quantidade de roupa comprada até dar prioridade a opções usadas, acrescentando que tecnologias como a Dry Fiber Technology demonstram como a inovação pode contribuir para diminuir significativamente a quantidade de vestuário que acaba em aterros sanitários. O relatório Fashion Play surge, assim, como um alerta claro para a urgência de práticas mais conscientes e sustentáveis no vestuário infantil, num momento em que o desperdício continua a crescer silenciosamente.

Estatísticas adicionais em Portugal:

No último ano, a família média portuguesa deitou no lixo, vendeu ou enviou para caridade o seguinte número de itens por criança:

1,1 T-shirts
0,7 pulôveres
0,6 pares de calças ou jeans
0,2 factos de fantasia, temáticos ou para ocasiões especiais
0,2 roupas de festa
1,1 pares de sapatos
0,2 artigos do uniforme escolar
2,4 calças / calções
2,4 pares de meias