A bioeconomia é a ciência da gestão da sustentabilidade. No fundo, trata-se de um modelo de desenvolvimento que valoriza a biodiversidade e os recursos naturais, através da aplicação de novas tecnologias para criar um ambiente sustentável e gerar novos produtos, processos e serviços.
O termo bioeconomia ganhou força a partir da primeira década do século XXI, quando passou a ser utilizado pela União Europeia e pela OCDE como parte dos seus esforços para promover um sistema produtivo mais sustentável e assente na biotecnologia.
A partir do momento em que entidades políticas começaram a valorizar este conceito, a bioeconomia tem estado no centro de conferências e debates globais, acerca da mitigação das mudanças climáticas, orientando a uma mudança de paradigma.
No entanto, esse caminho para a mudança que é tantas vezes debatido, não se trata apenas de medidas consideradas mais óbvias, como a substituição de combustíveis fósseis por alternativas renováveis, como os biocombustíveis.
A bioeconomia transcende diversas áreas e envolve soluções para diversas indústrias: farmacêutica, alimentar, cosmética, para a produção de energia e, recentemente, para a indústria do calçado/marroquinaria e a indústria têxtil e de vestuário.
A importância da Bioeconomia
Este tipo de economia tem cada vez mais importância porque o mundo é finito e os recursos naturais estão esgotados.
Alguns dos fatores que demonstram a importância da bioeconomia são, por exemplo, o facto de a ONU estimar que em 2050 haverá mundialmente um total de 9.000 milhões de habitantes, o que significa cada vez menos recursos para tantas pessoas e maior produção de resíduos. Mas, além disso, há cada vez menos petróleo, mais escassez de água e as alterações climáticas estão à vista de todos, com a elevada ocorrência de fenómenos naturais extremos.
Esta é uma realidade que a Europa tem vindo a constatar. Por esta razão, em Bruxelas, estão a ser estudadas diversas medidas do sistema económico e produtivo, para reduzir a poluição e para que os processos sejam realizados com mais consciência ambiental. Estima-se que, até o ano 2030, sejam criados um milhão de empregos verdes.
O propósito da Bioeconomia
O principal objetivo deste tipo de economia é a produção e comercialização de alimentos, produtos florestais, bioprodutos e bioenergia. Ou seja, todos os produtos comercializados podem ser criados através de transformações físicas, químicas, bioquímicas ou biológicas de todos os organismos que não são destinados ao consumo de pessoas e animais. Mas também, a forma de transformar estes recursos deve consistir em processos eco inteligentes que respeitem o meio ambiente.
Vantagens ambientais da Bioeconomia
- Combate às alterações climáticas: reduz a emissão de gases de efeito estufa ao diminuir a dependência de recursos fósseis.
- Conservação da biodiversidade: promove práticas sustentáveis que respeitam os ecossistemas e a vida marinha e terrestre.
- Promoção da economia circular: reduz a quantidade de resíduos, poluição e o impacto ambiental ao incentivar a reutilização e reciclagem de materiais biológicos.
- Produção sustentável: incentiva práticas agrícolas que minimizam o desmatamento, o uso de pesticidas e a poluição, promovendo uma alimentação mais saudável.
Vantagens socioeconómicas da Bioeconomia
- Criação de emprego e riqueza: gera novas oportunidades de crescimento económico e empregos, especialmente a nível local e regional.
- Estímulo à inovação: impulsiona o desenvolvimento de tecnologias e processos inovadores em áreas como a biotecnologia e a biologia sintética.
- Valorização de recursos e conhecimentos: fomenta a valorização de recursos naturais e conhecimentos locais, impulsionando o desenvolvimento de comunidades sustentáveis.
- Acesso a energia e recursos: democratiza o acesso a fontes de energia renováveis e promove a produção de bens de base biológica com maior valor acrescentado.
Bioeconomia na Indústria Têxtil e de Vestuário
A bioeconomia na indústria têxtil e vestuário visa substituir materiais de base fóssil por alternativas biológicas e renováveis, promovendo a sustentabilidade, a circularidade e a descarbonização. Este processo é possível através do desenvolvimento de novos biomateriais (como fibras de origem vegetal ou agroalimentar), ou da utilização de bactérias na produção têxtil, da aplicação de processos de produção e acabamento mais sustentáveis e de tecnologia avançada, da implementação de modelos de negócio circulares que priorizam a reutilização e reciclagem de têxteis, e do investimento em ecodesign.
Biomateriais na Indústria Têxtil e de Vestuário
Os diversos estudos e avanços científicos têm contribuído para as empresas do setor têxtil descobrirem a potencialidade de diversas matérias-primas e subprodutos que seriam descartados para, em vez disso, serem (re)integrados na cadeia de valor. Assim sendo, destacamos: biocouro (couro biodegradável); couro de maçã; couro de cacto; couro de cogumelo; couro de peixe; couro de vinho; fibra de ananás; fibra de banana; fibra de café; fibra de coco; fibra de laranja, entre outros.
Porém, existem também experiências para tecidos que repelem água e até tecidos que são produzidos com a ajuda de bactérias.
Todas estas (bio)inovações e novos materiais, são integrados nas diversas etapas de produção, desde (bio)tingimentos e (bio)acabamentos.
Neste âmbito, o Be@T é um projeto precursor na área do desenvolvimento da bioeconomia para a Indústria Têxtil e de Vestuário, através de estudos, certificações, produção e implementação de técnicas avançadas e novos materiais. O Be@t é um projeto liderado pelo CITEVE e financiado pelo PRR, reúne mais de 50 entidades num consórcio focado em biomateriais, circularidade, sustentabilidade e sociedade.
Bioeconomia na Indústria de Calçado
A bioeconomia na indústria de calçado foca-se na utilização de materiais de base biológica para criar calçado sustentável, promovendo a economia circular através do uso de biomateriais, ecodesing, reciclagem e tecnologias de produção avançadas.
Em Portugal, projetos como o BioShoes4All impulsionam esta transição, colaborando entre a indústria agroalimentar, o setor do calçado e a investigação para desenvolver novos materiais, valorizar resíduos e reduzir a pegada ambiental. Assim, além da preocupação de produzir a partir de excedentes de produção, surgem alternativas como biocouros, caroço de azeitona ou cascas de mexilhão.




